O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) determinou a irregularidade de investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Içara (Içaraprev), em um fundo imobiliário associado a empresas ligadas ao então Banco Máxima, hoje Banco Master. A decisão, que aponta um prejuízo milionário, exige que ex-gestores do instituto e uma empresa de consultoria devolvam R$ 2,39 milhões aos cofres públicos.

Os valores ressarcidos referem-se a aplicações efetuadas entre os anos de 2017 e 2018, período que antecede a atual administração municipal. O foco da investigação recai sobre um investimento de R$ 3,3 milhões no fundo Brazilian Graveyard & Death Care Services (CARE11), que atua no setor de cemitérios e serviços funerários. Segundo o TCE, o ativo apresentava riscos elevados em termos de rentabilidade, segurança e liquidez, o que contraria as normas estabelecidas para a gestão de regimes próprios de previdência.

O relator do caso no TCE, conselheiro Aderson Flores, enfatizou que já havia sinais evidentes de risco no momento em que os recursos foram aplicados. A decisão de concentrar R$ 3,3 milhões em um único fundo de nicho foi considerada imprudente pelos responsáveis. Além da devolução do montante principal, uma multa de R$ 2.725,21 foi aplicada à então diretora administrativo-financeira do Içaraprev por falhas no acompanhamento das aplicações.

A Prefeitura de Içara, em nota oficial, reiterou que os investimentos em questão ocorreram durante uma gestão anterior, entre 2017 e 2018. O município assegurou que está colaborando integralmente com os órgãos fiscalizadores e se colocou à disposição para auxiliar na apuração completa dos fatos. O TCE também determinou a abertura de uma nova Tomada de Contas Especial para investigar possíveis responsabilidades de membros do Comitê de Investimentos, do Conselho de Administração e da gestora do fundo.